quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

surreal post.


Adoro o surrealismo. Qualquer movimento ou qualquer coisa relativa ao subconsciente, à falta de lógica, à ausência de razão, a expressão do inconsciente, dos sonhos, do onírico, o humor, o sarcasmo, a ironia.... Salve Breton!

Adoro essa palavra.. onírico. Só de ler, de falar, já remete à uma fantasia, algo imaginado, fantástico mesmo.

Sempre me considerei meio surrealista, meio dadaísta.. Salvador Dali deve me entender. Mas acabei pensando no assunto nos últimos dias ao rever Mulholland Drive (ou sua tradução horripilante de “Cidade dos Sonhos”). David Lynch, um gênio odiado, consegue colocar num filme tudo aquilo que só conseguimos ver e sentir nos sonhos mais loucos, daqueles que nem nós conseguimos entender.

E, natural do ser humano, tudo que não é compreendido se torna mais curioso, e, portanto, mais interessante.


E qual não é a coincidência (e elas me perseguem constantemente) que nunca tinha prestado atenção, mas a rua onde ocorre maior parte da trama é Sunset Blv., nome de um filme que acabei revendo sem querer no Telecine Cult (não de surpreender meu canal favorito), um filme maravilhoso, preto e branco, que, resumidamente, conta a história de uma atriz de cinema mudo que cai no esquecimento quando o cinema fica falado, e que vive uma fantasia de achar que ainda é lembrada, lembrança nutrida por cartas recebidas do seu mordomo, fingindo ser fãs incondicionais que querem que ela volte às telas. E ela tenta, contratando um roteirista fracassado por quem acaba se apaixonando.. Enfim, tudo isso com um toque totalmente noir, o que torna tudo mais belo, mais misterioso e mais intenso.
Essa metalinguagem de um filme estar inserido em outro para falar de uma atriz que por isso é remetida à outra atriz, personagem de um sonho, que acaba se parecendo com a personagem do filme que dá nome à rua onde ela vive. Difícil de entender? Pois é, isso é David Lynch, que faz filmes incompreensíveis, e, por isso, imperdíveis (pra mim e pra poucos que gostam, pq a maioria odeia)


Mas deixando o lado cinéfilo de lado, acho que todo mundo precisa de um toque surreal na vida. Imagina se todo mundo levasse a fundo somente a razão, o correto, o concreto, o “palpável”. Oh, quão chato seria! Hehehehe
Viver em um mundo de fantasia, daquele jeito ruim mesmo, de não ter os pés no chão, num limite entre viver uma realidade sem graça e uma esquizofrenia de um mundo absurdo, com relógios moles de Dali..
Um mundo fantástico, onde tudo acontece, tudo é mais dinâmico, uma ausência total de limites, tudo solúvel, tudo volúvel. Como naquele filme onde o Robin Willians morre e pisa em flores de tinta.. não lembro o nome. Ou aquela cena mágica, do mesmo filme, onde o mundo da filha dele é o móbile que ela ganhara quando criança.. (se achar essa cena coloco no final do texto..)

Queria um mundo assim pra mim. Pode parecer falta de maturidade de minha parte, mas acho que a “existência” seria bem mais interessante. Nada de responsabilidade. Nada de pensar antes de agir. Só agir. E quebrar a cara. E logo depois voltar a fazer tudo novamente.. Nada de aprender com os erros do passado.. (inclusive isso surgiu lá nas civilizações antigas, ta na hora de mudar, hehehe)

Aliando isso ao fato de eu ser ateu e achar que do pó viemos e ao pó voltaremos, não teria com que me preocupar, além de achar que não existe o certo e o errado. Coisa mais limitada isso! se pararmos pra pensar, o que existe de fato, imutável?

Não se encontra paz evitando a vida, afinal, para usar um “lugar-comum”... Penso, logo desisto.. hehehe

Eu queria sair de casa e dar de cara com um chão de flores de tinta, ou onde tudo fosse uma tela e nossos desenhos se tornassem “reais”, e bastaria apagar o erro pra ele nunca ter existido..
Se bem que, pensando bem, sou bem surreal mesmo.. (bem bem bem, oh, redundância) não tenho nada a perder, posso ter uma vida curta. Por que me preocupar com qualquer coisa? O negócio é arriscar, é agir, é fazer..

O depois é só depois.. isso se o depois existir, de fato. Pulemos essa parte.



(ah, o filme que comentei.. amor além da vida.. “what dreams may come”.. propício o nome, inclusive.. apesar de que, como mulholland drive e sunset boulevard, todos são odiados pela maioria das pessoas que conheço.. mas eu adoro..)
Não achei a parte que queria, mas vai essa, aparece em alguns momentos as pessoinhas voando da parte que comentei, bem onírico.. (maravilhoso o clipe, inclusive..)






e a cena final do sunset boulevard. perfeita. (adoro quando ela "conversa" com o DeMille - um dia falo dele, adoro..)





é isso...


(...)
[comentário de uma pessoa especial: - JP, adoro quando tu fala de filmes.. a gente não entende nada mas por não entender a gente quer ver.. como tu mesmo.. a gente não te entende, mas quer..]

1 andaram comentando:

Anônimo disse...

agradeço o especial

;)