quarta-feira, 19 de agosto de 2009

divagando em ré

"eu costumava sonhar que estava num musical
porque num musical não acontece nada terrível"
Coincidentemente ia escrever aqui ontem sobre um assunto que vi hoje no Saia Justa (GNT). Pra não ser contra as coincidências, retomarei o(s) assunto(s)..
Sempre espalhei por aí que gostaria que minha vida fosse um musical. Tudo coreografado, versos, rimas, cantorias, e o solo da gorda na cena principal. Tudo leve, tudo feliz, com final previsível e bom pra todo mundo. No programa de hoje elas também falaram de musicais, e cada uma indicou uma cena do seu musical preferido.. Meia de seda, My Fair Lady, Mágico de Oz.. Então uma delas (a do contra que eu esqueci o nome – a filósofa) acabou indicando aquele que talvez seja o filme mais perturbador que eu (e ela) já vimos.. Dançando no escuro, com a Björk o papel principal. Não é um filme novo (aqui em Panambi sequer tem em DVD), e vi uma única vez há alguns anos.
Uma amiga já comentou que é um filme totalmente desnecessário, e essa é uma opinião bem comum. Não desnecessário estilo comédias idiotas americanas ou adaptações de livros mal feitas, mas desnecessário por ser desnecessário ver e sentir tanta tristeza. Como disse uma das meninas do programa, e eu já tinha lido sobre isso também, o clima dos bastidores era tão tenso que a Björk e o diretor não se falavam, e quando falavam, brigavam, a ponto dela cuspir nele em sinal de revolta (ok, ela nunca foi muito normal, evidenciado pela roupa de cisne que ela foi no Oscar).
Mas não queria falar sobre o filme em si. Aconselho, porque é bom. Mas o engraçado disso tudo é ver como o musical não é necessariamente feliz. Hair, outro exemplo, não tem um final feliz. É um musical profundo, apesar de a maioria das pessoas acharem que é só um bando de hippies drogados. Nas entrelinhas, muitas criticas à sociedade da época são feitas, sutilmente.. um tapa com luva de pelica ao som da era de aquário.
Mais um exemplo é A vida no Paraíso. Não chega a ser um musical clássico, com coreografias e tudo mais.. talvez seja mais um filme sobre música, toda a atmosfera da música na vida das pessoas. E, diferente dos musicais clássicos, um filme que não acaba com risos e felicidade.
Poderia citar outros exemplos, mas fico com esses pra não ficar chato. O que quero dizer é: que estranha e curiosa essa aura dos musicais, de esconder a tristeza, de mascarar a parte ruim da história, de atenuar tudo com coros e coreografias, e talvez por isso ser difícil alguém que não goste deles (mesmo aqueles que dizem que detestam mas já viram). Musical é o estilo de filme agradável, pra deixar a pessoa bem, para ver tudo aquilo apenas pela beleza da obra, e não, talvez, por sua profundidade. Talvez por isso o sucesso dos musicais do teatro, também. Entretenimento puro, sem pretensões.
Se na vida real tudo pudesse ser musicado, talvez não houvesse espaço para o lado B de tudo. Por que chorar se dá pra pular de banco em banco em fá menor? Por que sofrer de amor se é possível fazer um dueto na chuva?
Sempre quis que minha vida fosse um musical, mas depois de lembrar desse outro tipo de musical, o “musical dramático”, vejo que a questão não é somente a música e os passos coreografados, e sim o roteiro que faze a vida ser mais ou menos chata, mais ou menos densa, mais ou menos trágica, mais ou menos fácil. Seja em si bemol ou em paso doble.

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Outro assunto interessante discutido no programa é a estranha relação que as pessoas tem com aquilo que lhes provoca repúdio, repulsa. Porque é tão comum aproximarmos coisas que detestamos? E por que, inversamente, afastamos aquilo que nos faz bem?
A psicologia explica que aquilo que nos causa repulsa (no outro) é, na verdade, o elo de ligação. Odiamos no outro aquilo que desprezamos em nós mesmos, mas é mais fácil ver fora, a pra ver fora precisamos estar próximos.
Não seria tão mais fácil ficar próximos do que gostamos, repelir o que odiamos, sem a parte do subconsciente?
Essa inconstância me irrita. Sou o típico ser que adora se martirizar além do necessário. Procuro o que me dói. Gosto de choques de realidade. Sofrer como forma de evoluir.. que coisa desnecessária, hehe.
Prestarei mais atenção em tudo aquilo que faço questão de repelir, de odiar, de afastar. Talvez aí sim esteja a forma de crescimento. Aceitar que o podre do outro é o que nos apodrece também. Aceitar, acima de tudo, que aquilo que gostamos e afastamos é sinal do medo de aceitar que não somos tão bons.


Complexo. Hoje to meio inconclusivo.



♪ Ouvindo Conga – Gloria Estefan e Miami Sound Machine
Pra descontrair.
(reparar que cabelos lisos nos anos 80 foi coisa rara)

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