
Uma conversa de Msn..
>> me vi sempre como ponte
>> aos poucos, contudo, entendi que é possível fazer parte sem perder pedaços
>> e percebi que o peso de não oferecer o tráfego era maior do que o que podia avistar ao caminhar
>> daí, um dia também resolvi sair dos trilhos
>> mas com uma alma
>> que acreditava estéril
>> e é nesse estado que me encontraste
Um trecho do Saramago
...se antes de cada acto nosso,nos puséssemos a prever todas as consequências dele,a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis,não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar.
Sim, eu sei, é meio auto-explicativo, e, no meu caso, bem lugar-comum.
Mas tirei um tempo pra pensar nisso (oh! Novidade que eu pensei em alguma coisa..).
Esses dias estava lendo algumas reportagens sobre o titio Edir e sua pobre e miserável igrejinha que trabalha num sistema capitalista normal de uma sociedade baseada na lei da oferta (um lugar no céu) e da procura (redenção).
Ignorando a parte escusa do processo (deixemos isso para o Jornal Nacional e a nova briga em tempo real de duas emissoras em busca de audiência), não consegui entender como pessoas são levadas a crer em algo tão pouco plausível a ponto de se desfazer de seus bens mais preciosos, mais valiosos, em troca de algo tão real quanto o “ressucitou no terceiro dia”.
Sei que pra mim fica mais difícil, afinal não acredito em patavinas (tirando algumas fases esotéricas - hare krishna!). Mas tentei pensar com a cabeça de uma senhorinha que nunca conheceu mais do que sua rua, nunca conviveu com pessoas diferentes de seu círculo social, que passou a vida sem grandes expectativas além de ver os filhos casados e trabalhando, esperando por uma velhice confortável e um sossego eterno. Ninguém pode julgá-la de acreditar em alguém que a convence de que, vendendo sua casa e deixando no templo o documento de transferência de seu carro, ela vai enfim conseguir alcançar o sossego eterno, de preferência ao lado do senhor todo poderoso, com vista para a ala norte do céu.
É uma fé cega, ignorante, e talvez por isso presa fácil de má-fé. Mas não sei, compreende-se.
Então chega um Kaká da vida. Conheceu pessoas, conheceu o mundo, sabe que nada é fácil, que nada e um mar de rosas, e resolve virar pastor de uma igreja que vende lotes de céu. Será que “pregar a palavra” tem alguma relação com “cara de pau”?
Enfim.. eles que esperam o dia do juízo final que se entendam. Só sei que nunca fui com a cara do tio Edir e se acordasse com a tal da Bispa Sonia no meu quarto eu teria um infarto. Isso sem falar naqueles pastores que chegam aos céus aos berros. Medo!
(ah, também acho que as outras religiões têm seus podres.. só to falando dessa porque ta em voga, e é só pra exemplificar.. não quero descobrir que sou o filho do demônio amanhã)
Se o pior cego é aquele que não quer ver, e se em terra de cegos quem tem um olho é caolho e quem tem dois é muito mal visto, adotar a tapadeira é prevenção ou ignorância? É preferir o caminho mais fácil do não fazer pra não se arrepender? Ignorar parte do todo pra ser feliz no final?
O negócio é dormir de olho aberto. E depois fechar os olhos e seguir em frente. E doa a quem quiser enxergar além.
So that maybe that may be
What's gonna happens gonna happen to me
2 andaram comentando:
ui, voltou a habitar?
eu queria ter conversas assim no msn, tão elegante. conversa comigo. eu tenho saudade.
hahahaha, ai, carlota, eu te amo.
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