
O brasil ganhou as duas ligas do vôlei.
O rubinho ganhou na F1.
O dado ganhou a fazenda.
A miss brasil nem ficou entre as 15.
Ainda tem a final do no limite.
Ainda tem todos os outros realitys.
Ainda tem muita gente pra torcer, e muita gente pra agourar.
Não sei qual foi a primeira vez que torci pra alguma coisa. Lembro de uma gincana no meu primeiro colégio (eu era da equipe marrom, e queria ser da verde). Se não me engano ficamos em segundo lugar, atrás da equipe branca. Lembro de ter torcido, e de querer ter tido a vitória.
Nunca soube torcer direito. Primeiro acho totalmente desnecessário. Com torcida ou não, o resultado vai ser o mesmo (pelo menos com uma torcida distante). Fico nervoso, me irrito, passo mal.
No segundo grau, torcia pra um professor de educação física ficar doente (ok, às vezes era pra ele morrer também, mas não me orgulho disso) só pra ele não descobrir que eu não fazia educação física e que meus atestados médicos – que nem existiam – eram falsos.
Lembro de querer e não querer torcer para passar no vestibular. Foi o único que fiz, eram 20 por vaga, eu não tinha estudado, era uma federal. Lembro de segurar um Buda nas mãos com tanta força e não saber pra quem rezar (ser ateu é complicado nesses momentos). Quando ouvi meu nome na lista, senti um vazio tão grande. Toda angústia saiu pelos poros de uma vez só. Quase um exorcismo.
Lembro da copa que ganhamos, aquela dos pênaltis e do Baggio (eu usava all star verde e amarelo). Lembro do primeiro no limite, do primeiro BBB, da primeira casa dos artistas, dos primeiros mocinhos da malhação (ok, eu também não me orgulho nada disso). Ah, e acabo torcendo por finais diferentes para filmes que já vi. Impressionante (mas vá dizer que ninguém torce pra Meg Ryan não morrer no cidade dos anjos, por exemplo?).
Torcer, torcer, torcer. E ainda existem aquelas torcidas organizadas que nem com 400 anos de sociologia e antropologia eu conseguiria entender. Por que torcemos, se de fato em nossas vidas nada vai mudar (falo de torcer por um time, por um programa, essas coisas). Lembro do miss universo da nathalia (aquele da japonesa). Estávamos olhando como quem não quer nada, sem saber nem quem era a candidata brasileira.. Ela foi passando, passando, a torcida foi surgindo, foi aumentando, aumentando, e lembro do momento exato em que o apresentador disse que o segundo lugar era “nosso” (dela, coitada, só ela tava lá). Não lembro se fui eu ou minha irmã, mas um de nós soltou um grito de frustração. Dormi mal depois daquilo. Fiquei arrasado.
Torcemos, torcemos, torcemos. Será que transferimos nossa necessidade de vencer pro outro? Se ele vence, nós somos vencedores também? E que aula eu faltei por achar que o fato do outro vencer não muda nada na minha vidinha, que vai continuar do mesmo jeito? Afinal, com Brasil ganhando ou não a copa, eu ficando irritado com o dado ganhando a fazenda ou com algum fulaninho ganhando o BBB, minha vida (e minha conta bancária) vai continuar exatamente igual.
Deve ser algo inerente. Todos torcemos, de uma maneira ou de outra. Uns passando mal, uns matando, uns dando gritinhos, uns torcendo contra. Mas sempre acabamos pelo menos dando aquele suspiro de “ah, mas bem que podia ser assim como eu quero”.
Eu queria que a Danni ganhasse a fazenda (apesar de não ter acompanhando as últimas fazendas), eu queria que a Nazaré não morresse no final da novela. Eu queria que a República Dominicana ganhasse o miss universo. Eu queria que o Brasil ganhasse as ligas de vôlei (mesmo tendo visto no máximo três jogos). Torci pra todos. Só ganhei em alguns. E minha vida continua exatamente igual.
♪ Ouvindo Here Comes the Sun – Nina Simone.
Como eu amo essa mulher.
O rubinho ganhou na F1.
O dado ganhou a fazenda.
A miss brasil nem ficou entre as 15.
Ainda tem a final do no limite.
Ainda tem todos os outros realitys.
Ainda tem muita gente pra torcer, e muita gente pra agourar.
Não sei qual foi a primeira vez que torci pra alguma coisa. Lembro de uma gincana no meu primeiro colégio (eu era da equipe marrom, e queria ser da verde). Se não me engano ficamos em segundo lugar, atrás da equipe branca. Lembro de ter torcido, e de querer ter tido a vitória.
Nunca soube torcer direito. Primeiro acho totalmente desnecessário. Com torcida ou não, o resultado vai ser o mesmo (pelo menos com uma torcida distante). Fico nervoso, me irrito, passo mal.
No segundo grau, torcia pra um professor de educação física ficar doente (ok, às vezes era pra ele morrer também, mas não me orgulho disso) só pra ele não descobrir que eu não fazia educação física e que meus atestados médicos – que nem existiam – eram falsos.
Lembro de querer e não querer torcer para passar no vestibular. Foi o único que fiz, eram 20 por vaga, eu não tinha estudado, era uma federal. Lembro de segurar um Buda nas mãos com tanta força e não saber pra quem rezar (ser ateu é complicado nesses momentos). Quando ouvi meu nome na lista, senti um vazio tão grande. Toda angústia saiu pelos poros de uma vez só. Quase um exorcismo.
Lembro da copa que ganhamos, aquela dos pênaltis e do Baggio (eu usava all star verde e amarelo). Lembro do primeiro no limite, do primeiro BBB, da primeira casa dos artistas, dos primeiros mocinhos da malhação (ok, eu também não me orgulho nada disso). Ah, e acabo torcendo por finais diferentes para filmes que já vi. Impressionante (mas vá dizer que ninguém torce pra Meg Ryan não morrer no cidade dos anjos, por exemplo?).
Torcer, torcer, torcer. E ainda existem aquelas torcidas organizadas que nem com 400 anos de sociologia e antropologia eu conseguiria entender. Por que torcemos, se de fato em nossas vidas nada vai mudar (falo de torcer por um time, por um programa, essas coisas). Lembro do miss universo da nathalia (aquele da japonesa). Estávamos olhando como quem não quer nada, sem saber nem quem era a candidata brasileira.. Ela foi passando, passando, a torcida foi surgindo, foi aumentando, aumentando, e lembro do momento exato em que o apresentador disse que o segundo lugar era “nosso” (dela, coitada, só ela tava lá). Não lembro se fui eu ou minha irmã, mas um de nós soltou um grito de frustração. Dormi mal depois daquilo. Fiquei arrasado.
Torcemos, torcemos, torcemos. Será que transferimos nossa necessidade de vencer pro outro? Se ele vence, nós somos vencedores também? E que aula eu faltei por achar que o fato do outro vencer não muda nada na minha vidinha, que vai continuar do mesmo jeito? Afinal, com Brasil ganhando ou não a copa, eu ficando irritado com o dado ganhando a fazenda ou com algum fulaninho ganhando o BBB, minha vida (e minha conta bancária) vai continuar exatamente igual.
Deve ser algo inerente. Todos torcemos, de uma maneira ou de outra. Uns passando mal, uns matando, uns dando gritinhos, uns torcendo contra. Mas sempre acabamos pelo menos dando aquele suspiro de “ah, mas bem que podia ser assim como eu quero”.
Eu queria que a Danni ganhasse a fazenda (apesar de não ter acompanhando as últimas fazendas), eu queria que a Nazaré não morresse no final da novela. Eu queria que a República Dominicana ganhasse o miss universo. Eu queria que o Brasil ganhasse as ligas de vôlei (mesmo tendo visto no máximo três jogos). Torci pra todos. Só ganhei em alguns. E minha vida continua exatamente igual.
♪ Ouvindo Here Comes the Sun – Nina Simone.
Como eu amo essa mulher.
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