terça-feira, 3 de novembro de 2009

Nov, 18.


Acabo de voltar de um feriadão surpreendentemente inesperado e, ao mesmo tempo e mais surpreendente ainda, extremamente simples.

Depois de decidir de última hora viajar com minha família, desistindo (?) de outro plano antes combinado, acabei indo sem pensar para a casa de alguns parentes em São Leopoldo. Não deu tempo de programar nada. Nem sabia ao certo se queria ir.

A viagem de ida foi tragicômica, um misto de felicidade e ansiedade e tristeza e preocupação. Mas, com o passar das horas, os problemas foram ficando cada vez mais distantes, talvez seguindo o número de quilômetros rodados.

Ao chegarmos, com o início do dia, uma festa, ali, no meio da rua. Beijos, abraços, (re)apresentações (afinal mais de 10 anos se passaram, e quem ainda ontem era uma criança já tem mais de um filho..), carinhos, saudades, risadas, alegria. Alegria é a palavra que pontuou os últimos dias, inclusive.
Como é gostosa a sensação de se sentir querido. Como é bom ver no brilho do olho do outro a felicidade estampada em nos ver. Como é bom saber que é um sentimento puro, altruísta, sincero.

E conversas foram, e voltaram. Novos parentes iam chegando (foi complicado decorar o nome de mais de 10 novos membros da família). Mais carinho (recíproco) ia povoando os dias, que já pareceram mais curtos, as horas passaram rápido, e a vontade de prolongar aquilo, talvez eternamente, só aumentava.
E quem lembrou que existia internet, celular e qualquer outro meio de comunicação? Naquele momento fazer parte do mundo era desnecessário. Nos bastávamos. Poderíamos fazer parte de um grupo secreto, como aqueles dos barbudinhos americanos que vivem como os antepassados, sem qualquer ligação com o mundo real.

Muito barulho, muita conversa, muita risada. E apesar do calor beirando o absurdo e o ar condicionado ser um parceiro constante, até minha alergia, eterna companheira, resolveu dar uma trégua. Talvez ela não se atrevesse a atingir alguém que estivesse tão bem consigo.

Claro que entre uma conversa e outra algumas comprinhas, algumas festinhas regadas a MUITA cerveja (e muita mesmo, a ponto de eu não lembrar de ter tomado água em um desses dias, só álcool), pessoas diferentes, alguns banhos de garrafas pet e galões de água gigantes (como é bom não sentir vergonha de ser criança de vez em quando) sempre caem bem. Mas mesmo sem isso tudo já teria sido perfeito.
Enquadrar uma família (ou parte dela) com mais de 20 membros (número exorbitante para uma desagregada de 5) para a foto não é fácil. Gozações, piadas, timer da máquina que dispara antes do tempo, risada, risadas e risadas.
As lágrimas que insistem em sair quando precisamos contar a todos o quão bem eles nos fizeram por nos tratar com carinho, com atenção, com amor. O quão difícil estava sendo ter que voltar cada um para sua realidade, tanto nós quanto eles. A saudade que viria novamente, mas que (juramos) não duraria mais tanto tempo. Os planos de mudanças, de venda e compra de casas novas, promessas que sabemos serem difíceis de serem cumpridas, mas que são sonhos, e sonhos podem ser realizados.


Esses dias, fazendo um joguinho bobo de internet, tive uma surpresa um tanto quanto desagradável. Há alguns anos, calculando quando eu iria morrer em outro joguinho desses, já fiquei chocado ao saber que me davam apenas 36 anos de vida. Não passaria de 2021. Fiquei irritado, afinal todos que eu conhecia passariam dos 50.
Sempre brinquei com esse carma amargo. Até que, esses dias, resolvi tentar a sorte (?) novamente, em outro programa, e qual foi meu choque quando vi que minha nova data era 18 de novembro. Sim, agora, daqui a duas semanas. Apenas 15 dias, pra ser mais exato. Brinquei, na viagem, que se eu resistir a esse novo traço em meu destino, volto lá para novas visitas. E, no caso de eu não passar, darei um motivo para um novo reencontro.. hehehe.

18 de novembro. Ignorando ser um joguinho besta de computador, fiquei pensando nessa data. O que fazer em 15 dias? Tentar, de qualquer maneira e contra o relógio arrumar tudo que ficou desarrumado, tentar resolver todos os problemas que ficaram pendentes? Dizer tudo aquilo que não foi dito, quebrar todas as regras que nos foram impostas?

Em outros tempos eu faria isso. Sempre disse isso quando questionado sobre o que fazer se soubesse que tinha pouco tempo de vida.

Depois desses dias, contudo, vi que não precisamos sair correndo, afobados, tentando reverter aquilo que já foi escrito. O que aconteceu, de fato, já aconteceu, já está no passado. Resta o dia de hoje, o presente, e, no máximo os 15 dias que temos pela frente.
Depois de receber tanto carinho nos últimos dias, depois de sentir um amor tão puro vindo de outras pessoas, e de sentir prazer simplesmente em sentir o mesmo, sem qualquer obrigação ou julgamento, sinto-me bem, mesmo com o pesar de ter que voltar para casa, de ter que atualizar tudo que ficou desatualizado, de recolocar a vida em ordem de novo. A realidade, afinal, não tem graça nenhuma.

Não acredito em 18 de novembro. Claro que terei mais certeza dia 19, mas prefiro não acreditar, hehehe. Mas, se existem aqueles “sinais divinos pré-morte”, acho que tive o meu, sabendo que é possível sim, conseguir extrair do outro um sentimento bom, apenas por existir, sem precisar fazer por merecer, apenas por ser.
Me fez bem. Está me fazendo bem, e espero que continue assim. Tudo feliz, tudo tranqüilo, tudo calmo. Como é pra ser, acontecendo o que for pra acontecer.
Tudo a seu tempo. Mas, espero, antes de 18 de novembro.




♪ ouvino o silêncio, e com saudades do barulho e da correria de lá.

1 andaram comentando:

Carla Arend disse...

falta uma semana?
dá tempo de ir e voltar daqui praí pelo menos, 2 vezes.

:}

as famílias nos fazem bem, e né, é a única coisa que não podemos escolher.

bom te saber feliz. beijo saudoso.
se resistir ao 18, espero te encontrar no verão!