segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

carta pra 2010



Bom dia 2010..

Você que está aí, apreensivo com sua vinda, pensando em tudo que vai acontecer, em como vai organizar tudo, como vai levar a vida de todo mundo.. deve ser difícil, não é?


Mas sabe, eu vou te deixar mais preocupado ainda.. porque eu te digo, hoje, nessa minha humilde cartinha, que você terá que se superar.. mas eu te explico os porquês..


2009, seu amigo que ta juntando as trouxas agora, se esforçou, não posso negar. Claro que ele começou com uma tarefa fácil, afinal o 2008, amigo de vocês, já tinha me dado a formatura. Pra ele, então, foi simples. Me mandou pra praia, mas você acredita que ele esqueceu de me dar as responsabilidades? Pois é. Por isso já vou lhe avisando, Sr. 2010: às vezes, e na maioria delas, eu preciso de um empurrão, porque eu sou meio cego, eu deixo as coisas escaparem, então lhe peço, encarecidamente, que seja mais claro comigo, pelo menos mais do que seu amigo.


Mas não pára por aí, não.. vou abusar um pouco mais. O ano que passou foi ótimo. Não nego. Talvez, arrisco dizer, um dos melhores anos, se não de toda minha vida, pelo menos dos últimos anos. Nem sei o motivo. Só sei que 2009 foi leve, entende? Apesar dos problemas normais que todos vocês nos fazem passar, parece que o 2009 conseguiu sempre dar um jeitinho de tudo parecer mais fácil, indicando sempre um caminho melhor pra resolver as coisas. Tanto que, diferente de 2008, que ficou de mal comigo e eu com ele quando precisei voltar pra casa, o 2009 já me fez ver que isso não era o fim do mundo, e que poderia ser bom. E foi, não posso negar.


Mas ah, 2010, eu espero mais de você. Não sei, talvez seja essa nossa ânsia de sempre querer o melhor. Sei que parece injusto. Afinal, 2009 era meu ano na numerologia. Você nem é. E sei que é difícil agradar todo mundo, e por isso reitero que faço esses pedidos encarecidamente.


Os concursos que fiz nesse ano que está acabando terão resultados no seu ano. Não custa dar uma mãozinha, não é? O que 2009 orientou, você finaliza, com chave de outro, mostrando, desde o primeiro mês, que veio pra arrasar.


Acho inclusive que, visualmente (e não conte isso pro 2009), você me parece mais agradável. 2009 é fim de década.. não tem como não ter aquele gostinho de “ok, termina por aqui”. Mas você não. Você é o início de tudo. Você que vai me dar os 25 anos, logo agora, daqui uns dias. E nem peço nada especial de aniversário. Só talvez um cérebro de 25 anos, que não me faria mal algum. O de 12 não está mais conseguindo me acompanhar.


Se não for pedir muito, acaba também com esse negócio de pais enfiando agulhas nos filhos, por favor. Não sei, mas acho que o 2009 tinha um “q” de sado.. eu acho, pelo menos. Se puder acabar com esses calorões e mudanças bruscas de temperatura, eu não reclamaria. Não pra salvar o mundo (confesso pra você que eu não dou muita bola pra isso.. tudo precisa acabar, e vai ver o mundo já ta velhinho também, chegou a hora dele), mas simplesmente pra todo mundo poder aproveitar um pouco mais a vida.


Se não fosse pedir muito, mais uma vez, dá um jeito aí, mexe seus pauzinhos, e transforma todo o ano em outono. Já pensou? Você seria conhecido eternamente.


Claro que eu poderia me aproveitar e pedir mais cabelo, pedir pra não envelhecer enquanto você estiver por aqui, mas eu não serei tão egoísta e superficial, prometo.


Mas uma coisa eu te peço, quase implorando. Não siga essa mania chata dos seus amigos de sempre brincar conosco colocando as coisas nas horas e nos lugares errados. Pelamordedeus, não faça isso. Talvez, há muito tempo atrás, isso poderia até ser engraçado. Ironias da vida, coisa parecida. Mas eu te digo, caso ninguém tenha dado esse toque: já cansou. De verdade, perdeu a graça mesmo. Conto muito contigo nessa.


Não sei que santo rege esse ano, nem o orixá, nem o número, nem nada. Se não me engano a cor é azul, mas nem tenho certeza. Não sei como você organizou tudo aí. Mas que tal uma sugestão? Porque você não faz diferente e faz, por exemplo, um ano “racional”? Ou um ano “no stress”? Ou um ano “no feelings?”.. Vai por mim, você lançaria moda, e aqui seria tudo tão mais fácil pra nós.. Como eu disse, essa é sua chance de ficar marcado pra sempre na cabeça das pessoas.. Já imaginou, daqui uns 30 anos, todos falando “ah, 2010 mudou nossas vidas”.. sei lá.. acho que todos vocês têm inveja de 68, ou outros anos que ficaram assim, marcados e lembrados mais que os outros.


Por isso te escrevi essa carta. Essa semana a Martha Medeiros escreveu que os anos são todos iguais, e já que são assim, cabe a nós mudar para fazê-los diferentes. (...) Pois é. Eu sei que no fundo ela ta certa, mas não custa tentar, não é? Sei que pro Papai Noel todo mundo escreve, e acaba ganhando quase tudo que pediu. Como eu não gosto do Natal e não escrevi pra ele, resolvi escrever pra você. Uma coisa meio exagerada pedir um ano inteiro no lugar de um presentinho, mas não custa arriscar, não é, vá que eu dê sorte.


Ah, e por favor, eu já ia me esquecendo.. Hoje eu estou tirando as minhas pulseirinhas que sobraram, daquelas de fazer pedidos, conhece? Acho que pode dar azar entrar no seu ano com os pedidos que o 2009 não conseguiu realizar direito. Também, vai ver que até pedidos têm prazo de validade. Então peço, que, se sobrar tempo, realize todos eles. Mas tenha cuidado, por favor, porque eles foram feitos por uma cabecinha meio aérea, assim como aqueles pedidos de ano novo, que você vai ouvir bastante dia 1... Paz, amor, alegria, felicidade, etc, etc, etc.


Mas cuidado com isso: Pedir alegria pode resultar em alegria de ser pobre, alegria de ser solteiro.. Não é isso! Os outros anos já erraram comigo aí, então cuidado. Assim como no pedido de amor, que pode vir um ano só de sofrimento por um amor não correspondido. Ai, ai, ai. Ou pedir paz e ter em troca um ano de tédio e de mesmice.


Então “te puxe” aí.. pensa bem, analisa bem, faz bem os cálculos. Prometo que me esforçarei daqui também. Já até cortei as minhas pulseirinhas, pra você ver o quanto confio em você pra melhorar tudo. Não sei como, mas acho que você dará um jeito. E nada de começar lá no meio do ano.. Não sei se 2009 te contou, mas ando precisando de coisas logo pro início de janeiro. Conversa com ele, apesar de cansado ele pode te dar a direção..


No mais, acertamos as contas dia 31 de dezembro. Não, não nesse, no seu dezembro.. e espero só agradecer, com sinceridade.


Faça o seu daí que faço o meu daqui, ok.


No mais, fica com um abraço e muita força pra enfrentar esses mais de três centos de dias que estão por vir.. Mas não canse por antecipação. Faça um por um dar certo que o conjunto fica bom.


Abraços do JP, e boas vindas.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

duplo sentido.

Morre lentamente
Quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem não encontra graça em si mesmo

Morre lentamente
Quem destrói seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente
Quem se transforma em escravo do hábito
Repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
Quem não muda de marca,
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou
Não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente
Quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções,
Justamente as que resgatam o brilho dos
Olhos e os corações aos tropeços.

Morre lentamente
Quem não vira a mesa quando está infeliz
Com o seu trabalho, ou amor,
Quem não arrisca o certo pelo incerto
Para ir atrás de um sonho,
Quem não se permite, pelo menos uma vez na vida,
Fugir dos conselhos sensatos...

Viva hoje !
Arrisque hoje !
Faça hoje !
Não se deixe morrer lentamente !

Não se esqueça de ser feliz!


(Quem morre? - segundo O Pensador, da Martha Medeiros.. não confirmo, mas gostei igual..)

domingo, 13 de dezembro de 2009

estranho.

Hello stranger, ela diz, lindamente no filme..
Strange, estranho.
Estranhez (se é que essa palavra existe) é, ironicamente, e por si, um sentimento deveras estranho mesmo.
Estranho, por exemplo, rever o filme de Amelie, que outrora já amei, antigamente odiei, e assim continuo, nesse “paradoxo sentimental”. Pois ora tenho vontade de matá-la, ora de amá-la. Afinal, ela fez mal a seu pai. Por tempos, deixou-o confuso, desorientado. Triste. Sim, com uma intenção boa no final. Mas de boas intenções, o inferno está cheio, então por que gostar tanto dela assim?
São pequenezas, coisas miúdas, atitudes por vezes infantis, por vezes sem pensar. Mas atitudes são atitudes, e atitudes geram outras atitudes em resposta. Amelie teve sorte. Suas traquinagens geraram coisas boas, como ela esperava. Mas Amelie é uma menina de sorte, Amelie não teme, Amelie não erra. Amelie é uma estranha Poliana.
Mas tantas coisas estranhas e sem explicação existem há tanto tempo que acho estranho não terem ainda descoberto suas razões. Afinal, por que as coisas estranhas existem?
Pois me é muito estranho saber que as pessoas trabalham a vida toda, guardam dinheiro a vida toda e, de repente morrem. Estranho a maioria não pensar que deveriam guardar um tempo pra gastar o dinheiro guardado. Estranho mesmo é nem saber quanto tempo teremos.
Por que é estranho chorarmos quando estamos excessivamente felizes. A Biologia até pode tentar explicar, mas que é estranho, ah, isso é. Assim como estar triste, muito triste, e não conseguir chorar. Mas ora, se você está triste, chora. Mas não sai. Estranho. E não deveria ser assim.
Por que é estranho você ter um passarinho ou qualquer outro bichinho de estimação, tratá-lo bem, cuidar para que não fuja, afinal você sabe que se fugir ele ficará mal, poderá sofrer, dar comida a ele, afeto, carinho, atenção. E assim, numa oportunidade qualquer, ele foge. E não volta mais. Estranho. Se você fez tudo para ele o tempo todo, por que fugir? E o pior, e mais estranho: ele sabe que vai acabar morrendo, se arrependendo, você avisou. Mas, mesmo assim ele vai. Vai entender..
Arrepender-se é algo muito estranho. Se você fez, e sabe que está errado, que direito tem de se arrepender? Se arrependimento fosse um ticket de volta ao passado, até se entenderia, mas, ora, de que adianta? E todos, mesmo assim, se arrependem. Estranheza pouca é bobagem.
Então o mundo vai acabar, todo mundo sabe disso, a água ta no fim, o ar ta poluído, o apocalipse ta ali. E ninguém faz nada. Estranho esse sentimento comum de que não vai acontecer com você. Mas, de alguma maneira, sempre acontece com você, já notou? Talvez porque só pensamos nisso quando, de fato, acontece com a gente, então fizemos questão de dizer: “é, eu achei que nunca ia acontecer comigo”.. Mas então não deixe acontecer, é simples. Volta a questão do arrependimento, volta à questão do passarinho na gaiola. Volta a raiva da Amelie que não se arrependeu, porque, sortuda, conseguiu que tudo desse certo.
Estranho ver um mendigo na rua e ignorá-lo. Ver uma criança pedindo esmola e, sabendo de que nada adianta, dar um trocado. Estranho o sentimento de incapacidade com coisas que estão acontecendo e você não pode fazer nada, absolutamente nada, mesmo que, em teoria, cada um poderia fazer a sua parte. Estranho, às vezes, não termos essa alternativa no caderninho de respostas. Ou seria no das perguntas?
Estranho perguntas não terem resposta. Estranho você querer fazer alguma coisa, e, por vezes, fazer, sabendo que não é certo, mas você faz igual, pois conta com as tais das variáveis incontroláveis. Ou, justamente, porque não conta. As coisas acontecem, e o que deveria ter sido bom, deu errado, e você acha que fez certo, porque acreditava, e talvez continue acreditando. Estranha essa teimosia em continuar acreditando mesmo nas coisas que acabaram. Em imaginar que depois dos créditos dos filmes, a história continua. E o final triste pode virar feliz. E o final feliz pode dar com a cara na realidade.
Estranho pensar que existe filme após os créditos.
Estranho pensar nas coisas estranhas.
Estranho ver sua gata ficar perto de você, e acreditar que o misticismo que existe em cima dos gatos pode ser verdadeiro. Estranha a sensação de descoberta infeliz, afinal, seria mais divertido ter aprendido com os livros.
Estranho comer Nescau ate arder a garganta, afinal, se arde, é porque faz mal. Estranho comer como um condenado à prisão e depois reclamar que engordou. Estranho ter que pensar antes de fazer, e mesmo assim não pensar. Estranho pensar demais, quando nem há mais o que pensar.
Estranho ligar sabendo que não vai ser atendido. (de fato, só de imaginar que numa ligação a voz passa por um fio e chega do outro lado exatamente como você queria já basta de estranheza). Estranho tentar uma segunda vez, quando tudo quer dizer, e diz, que já não dá mais. Mais estranho ainda persistir. Mais estranho ainda é não querer desistir. Mais estranho ainda é amar, e querer, e insistir. E errar, e tentar, e lutar. Estranho ainda notar que está sendo em vão. Estranho ter que guardar sentimento, estranho não poder compartilhar. Estranho ter que voltar a uma vida normal quando parte de ti se acostumou com uma outra vida.
Estranho ter que sair na rua calçado. Estranho ter que arrumar o cabelo sempre antes de sair, se todos os fatores climáticos o estragarão. Estranho fazer a mesma coisa todos os dias pensando que o resultado ser diferente.
Estranho que pensar que a estranheza está tão próxima da burrice. Mas pessoas burras não são estranhas. Pessoas burras não insistem, pessoas burras não fantasiam, pessoas burras. Mas atitudes estranhas são tão burras, do mesmo jeito. Estranho.
Esdrúxulo. Diferente. Bizarro. Estranho.
A Lady Gaga é estranha. Hoje eu chorei ouvindo Lady Gaga. Isso é mais estranho, mais ainda pelo fato de, naquele momento específico, eu não estar pensando em nada. Estranho ver O Crepúsculo de madrugada, e entender que a história é bonitinha. Estranheza mais vergonha dá em quê?