quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

a felicidade está no seu butão.

O Butão (em butanês "Terra do Dragão") é um pequeno e fechado reino nos Himalaias, encravado entre a China, a norte, e a Índia, a lesta, sul e oeste. A sua capital é Thimphu.

Com economia baseada quase num feudalismo, 90% na agricultura, o Butão é uma das menores e menos desenvolvidas economias do mundo. É patriarcal e matriarcal. Quem tem maior estima é o chefe da família.

Mas, afinal, que raios importa o que é o Butão?

Estava olhando eu ontem saia justa (sim, como quem me segue aqui já deve saber que gosto) quando a Maitê Proença apresentou uma entrevista com o primeiro-ministro ou outra patente política do Butão. Um carinha simpático com cara de vietnamita, mais parecendo um palestrante de auto ajuda que uma autoridade política.

Foi então que descobri que o Butão é conhecido por buscar (e não filosoficamente, mas na prática mesmo) a felicidade de seu povo. Era uma monarquia absoluta, mas acabou tendo eleições democráticas há poucos anos. O povo ama seu rei. O povo se ama. Se você pergunta pra um butanês, ele vai lhe responder que é feliz.

No Butão ninguém fuma. Nem se vende tabaco. Perguntado sobre isso, o tal cara-de-vietnamita-simpático, com um sorriso no rosto, respondeu: “acreditamos e fizemos o povo ver que fumar não faz bem, então [como um silogismo claramente óbvio] ninguém fuma”.

No Butão, planta-se maconha na rua. Mas não, não estou aqui fazendo a linha sou-jovem-idiota-que-acha-que-maconha-liberada-é-linda e enaltecer o Butão por isso. Lá eles plantam maconhas pra dar para os porcos e outros animas. Eles comem e dormem, comem e dormem, disse o cara de vietnamita.

Mas fiquei pensando... Como um país de economia irrisória, pequeno, quase feudal, baseado na agricultura, pode ser tão feliz? O representante disse, na entrevista: enquanto os outros países buscam um desenvolvimento desenfreado, um capitalismo eufórico e todas aquelas coisas que todos sabemos, o Butão foi direto ao ponto na questão do objetivo de tudo isso: fazer o povo feliz. Afinal, tanta busca, tanto desenvolvimento, tantas guerras e tantas políticas tem a alegria como objetivo, não? [abre espaço para um sorrisinho sarcástico aqui].

Mas, saindo um pouco do Butão e partindo para um lado pessoa, acho que essa confusão dos meios e fins acaba assolando todo mundo. Eu, pelo menos. Procuramos, analisamos, fazemos estratégias e blá blá blá, com o objetivo de sermos felizes. Mas já parou pra pensar que às vezes nos preocupamos tanto com os meios e acabamos esquecendo dos fins?

Você não quer esquecer alguém, pois acha que ainda pode ser feliz com ela/ele. Mas se seu objetivo é a felicidade, não seria mais lógico procurar em outro lugar?

É questão de simplificar as coisas.

Sim, é um discurso bonito em teoria, e pouco prático talvez. Mas, pare pra pensar: você também não está protelando uma felicidade que nem é assim tão utópica por se preocupar demais em preparar o terreno pra ela chegar?

Não é mais fácil partir para o fim, e ser feliz? O que é mais importante? A felicidade, de fato, ou a construção de uma base sólida para uma felicidade mais duradoura? (mas não por isso, garantida).

Complicado.

Mas tomemos como exemplo o Butão e suas caras de vietnamitas felizes com seus porcos chapados e gordos. A felicidade é tão simples. Não temos por que complicar.

E, se for difícil olhar pra o Butão, lá longe, do ladinho da China, com seus Budas e suas filosofias orientais tão diferentes das nossas, olhe para dentro, olhe para si.

A felicidade, afinal, está no Butão de cada um. É só prestar atenção.

1 andaram comentando:

Fabrício disse...

Muito bom! Filosofia com senso de humor.