Uma cerveja no copo e uma música tocando no celular (tenho problemas com o media player).
Música vai, música vem, e o shuffle resolve me pregar (mais uma) peça..
Nostalgia bate. Saudade bate forte e aperta o peito.
Porque tem gente que não gosta de sentir saudade. Acha que sentir saudade é fraqueza. É não saber curtir o presente, ou pensar no futuro. Eu gosto de sentir saudade. Curto o sentimento. Não feliz, na maioria das vezes, mas é bom lembrar.
E dessa vez bateu forte mesmo. Acho que bate mais forte quando sabemos que a saudade não traz mais o momento de volta. Então bate uma tristeza junto.
Saudade de ouvir Dido voltando de uma peça de teatro, naquela hora do dia que o sol já baixou mas não é noite ainda, sabe?
Saudade de fumar escondido de madrugada passando frio só de cueca.
Saudade de ficar conversando de madrugada sobre a vida e de repente ver que a noite já acabou.
Saudade de chorar vendo filme.
Saudade de se irritar, e brigar, e fazer as pazes depois e ver que tudo foi besteira.
Saudade de fazer planos malucos que sabemos estão longe de se tornar realidade.
Saudade de ir no mercado. E comprar champanhe barata pra comemorar coisa alguma.
Saudade de proteger do filme que dá medo.
Saudade de ver, e só. E ficar em silêncio mesmo parecendo impossível.
Saudade de fotos estranhas.
Saudade de fazer comida ruim tarde da noite.
De tomar coca com negrinho noite afora.
De sair correndo pro banheiro.
De voltar correndo, e terminar o negrinho.
Saudade de fechar a janela.
E apagar a luz.
Tenho muita saudade. Mesmo sendo do tipo que a gente não quer ter, ou por ser algo já tão distante ou porque queremos esquecer.
Mas esquecer não é tão fácil assim. Junto do esquecimento precisa a motivação e a vontade de pular a fase.
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