sexta-feira, 18 de junho de 2010

envelheci.

Quando eu era mais novo (bem mais novo) eu tive um complexo de édipo (ou, para que quem entende do assunto não diga que eu não tinha ou que todo mundo tem, tive uma “insegurança exagerada” e me tornei superdependente de minha mae).

Naquela época, eu tinha medo de ficar cinco minutos sozinho, pois sabia que seria abandonado a qualquer momento. Sorte que sempre fui meio idiota, então me aguentar não era difícil.

O tempo passou, os complexos, aparentemente, passaram e eu comecei a mudar, e fazer coisas que me davam na telha.

Mudava meu quarto pelo menos uma vez por semana. Odiava saber que tudo continuaria do mesmo jeito todos os dias.

Saí de casa pra fazer faculdade numa cidade que não conhecia. Me virei.

Comecei a cada vez mais fazer as coisas sem pensar. Gostava do risco, e não acreditava em arrependimento.

Fiz tudo que a maioria das pessoas deve ter feito.. e algumas que outras nunca nem pensaram em fazer.

Bebi, fumei, cheirei, beijei, beijei mais de uma pessoa na mesma noite, mais de duas, mais de três, mais de quatro, mais de cinco... beijei mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Beijei mais de uma pessoa e de sexo diferente ao mesmo tempo.

Aproveitei o momento, ou os momentos, literalmente. Já dormi com pessoas sem ao menos saber o nome. Já acordei sem saber onde estava. Já acordei com duas pessoas do meu lado.

Já amei, algumas vezes. Amo, na verdade, porque acredito que amor é eterno. Já fui amado também, ou pelo menos assim foi me dito, e eu acreditei, afinal era bom acreditar. Já namorei. Já traí. Já fui (muito) traído. Já menti. E já me arrependi (muito) de ter dito a verdade.

Já perdi gente que amava. Já sofri, já chorei, já fiquei dias sem sair de casa com medo de me encontrar com alguém. Já corri atrás, já implorei, já me humilhei. Já ouvi muitos nãos.

Mesmo depois de velho, continuo me jogando de cabeça e fazendo o que me dá na telha. Claro que com um terço do pique de outros tempos, mas com a mesma emoção.

Assim como quando mudava os móveis do meu quarto de lugar. Nunca soube se daria certo, se ficaria bom, mas eu precisvaa mudar, precisava fazer.

Morro de medo de daqui uns anos chegar a conclusão de que não fiz o suficiente, ou não fiz o que eu queria fazer. Não quero ser frustrado. Talvez esse seja meu maior medo.

Por isso continuo falando, fazendo, errando, tentando, implorando, pedindo, chorando...

Deixo de lado a parte de acordar sem saber onde, ou dos beijos triplos regados à falta de sobriedade.

O bom de ficar mais velho é saber exatamente onde a gente quer acordar amanhã.

1 andaram comentando:

James Pizarro disse...

Resguardadas as devidas proporções, imdiatamente lembrei da minha aolescência, década de 50/60 em Santa Maria, no Colégio Estadual Manoel Ribas, depois na UFSM, nas avenidas, bares, redações de jornal, cursinhos, salas de aula, rua, mundo, interior de mim mesmo...
Belo texto ! Parabéns !

James Pizarro