domingo, 25 de julho de 2010

cult e grosso

Sempre tive problemas, apesar de ser um comunicador, com excesso de informações, ou de maneiras diferentes de se ter acesso a elas.

Estava assistindo uma matéria em algum jornal sobre uma cidade na Amazônia (inclui-se aqui minha ignorância, pois acho que a cidade ficava no Acre, e não no Amazonas, mas enfim, deu pra entender) que, de tão simples e retrógrada (num olhar brasil-sulista), teve dificuldade de contato com os repórteres, visto que não haviam telefones que funcionavam na cidade, e o único meio de comunicação foi a internet do único computador de uma lan house.

Na hora eu ri da piada. Pensei, cá com meus botões: “como essa gente vive?”

Mas depois, pensando melhor no assunto, notei que talvez essa gente sim é feliz. Nascem, brincam na rua, crescem, estudam o básico e necessário, algo meio subsistente, conhecem alguém que já é de uma família conhecida, namoram, noivam (sim, ainda existe noivado), casam e morrem velhinhos com seus parceiros.

Uma vez, num filme, acho que até já falei disso aqui, um personagem disse num julgamento (acho que era em O Julgamento de Nuremberg) que o excesso de comunicação e informação poderiam, além de evolução, serem os responsáveis pela destruição do “mundo moderno”.

Claro que hoje, para nós, pensar a vida sem internet é algo tão estranho quanto pensar em vida sem.. sei lá.. miojo.

Mas já parou pra pensar todos os contras que esses meios de comunicação nos trazem? Relacionamentos terminam porque o outro tem orkut, MSN, twitter, blá blá blá.

Não existe mais a preocupação com a realidade. Parece que as pessoas estão mais preocupadas em fazer as coisas, viver as coisas, para depois publicar em alguma rede social. Pode parecer importante comer um sanduíche de alguma cadeia famosa. Mas matar a fome se torna segundo plano frente a necessidade de que os outros saibam que você é uma pessoa antenada e que come a comida da moda. E ouve a música da moda. E Blá blá blá.

É quase como aquela coisa de “não leia Paulo Coelho, nem Veja. Odeie a Globo, repreenda novelas e realitys shows”. Agora páre e pense quem fala isso. Geralmente são os novos cults, que, por personalidade, devem odiar tudo que é das massas.

Mas essa coisa de comunicação facilitada acabou trazendo consigo a falsa idéia de personalidade. Hoje, quem faz parte do grupo que fala a frase acima virou maioria. Cult é quem assume que gosta de Paulo Coelho, lê Veja, se informa com o Jornal Nacional e chora com as novelas da Globo. Esses sim são os diferentes. Esses sim, tem personalidade.

As coisas estão se invertendo, e isso é engraçado. O tal do dia sem globo (e agora é uma opinião sem embasamento algum) deve ter sido um fracasso de auditório. Pessoas amaram o Dunga, odiaram o Dunga, e agora nem lembram o porquê do ódio ou do não ódio.

Eu, por exemplo, adoro filmes que ninguém vê.. amo meus clássicos em preto e branco e de linguagem difícil. Uau, como sou cult. Mas TODO mundo vê a mesma coisa.

Virou moda ser fora de moda. E isso é o cúmulo do paradoxo.

Felizes são os que moram naquela cidadezinha da Amazônia. Não sabem o que acontece no mundo, afinal a guerra da coréia ou o verão russo não vai mudar em nada suas rotinas.

Mal sabem eles que eles sim são os cults verdadeiros.


(preguiça de corrigir. vamos fingir que é cult escrever errado)

1 andaram comentando:

Max disse...

Estamos presos a WWW e elas nos possui. O controle não cabe mas a nós, agora esta nas mãos dos servidores inativos, que nos fazem parar.