segunda-feira, 1 de agosto de 2011

close-up

E daí que vc dá três conselhos e se diz psicólogo.

E daí que vc coloca uma playlist pra tocar numa festa e se diz DJ.

E daí que vc publica uns textos por aí e se diz escritor.

E daí que vc tem um blog e se diz jornalista.

E daí que vc desenha uma coisa e se diz designer.

E daí que vc plagia outros sites e se diz blogueiro.

E daí que vc fala de moda e se diz estilista.

E daí que vc tem uma máquina e se diz fotógrafo.

Sou eu o tradicional ou tudo ficou exageradamente superficial? Cadê preparação, cadê estudo, cadê formação, cadê histórico? Ok. Existe o dom, existe o acaso, mas vamos combinar. De um dia pro outro criar um título ficou mais importante que merecê-lo. Bons tempos em que os outros diziam o que vc era. Vc era denominado, não denominador.

Bem dizia Guy Debord, que na sociedade do espetáculo o mais importante é a representação. Somos todos wannabes alguma coisa. É o que nos caracteriza. Pena que seja também o que tem nos definido, nos nomeado nesse mundinho tão superificial. E supérfluo.

Pena que nessa peça de teatro real temos tantos personagens pra um enredo tão chinfrim.

Que fechem as cortinas.


UPDATE

"Vivemos numa cultura apresentacional em que a aparência é a realidade. Indivíduos e grupos apresentam suas faces ao mundo em cenários onde administram sua performance com mais ou menos confiança: palcos em que o que fazemos é para mostrar, para impressionar os outros e definir e manter nosso senso de nós mesmos, um senso de identidade; palcos que, por sua vez, dependem de bastidores onde, fora da visão de nossa audiência, podemos preparar a maquiagem, a transformação.

Essa percepção do social tem várias consequencias e dificuldades. ela suprime qualquer diferença ontológica entre verdade e falsidade, já que todas as apresentações são, até certo ponto, representações enganosas. Por outro lado, ela reifica o que, de outro modo, poderia ser visto como apenas um verniz de civilidade, conferindo substância ao que poderia ser facilmente visto como meramente superficial. Também se abstém de um juízo moral e insiste que toda sociedade, nao apenas a nossa, é produto de tal ação performativa."

(Roger Silverstone - Por que estudar a mídia?)

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