E daí que estou levemente alcoolizado e nervoso porque preciso tirar um Deleuze de dentro de mim pra prova de mestrado, mas mesmo assim não me segurei e senti a necessidade de escrever, e vou escrever…
Então… eis que surge a notícia/vídeo/mídia da menina chinesa que foi atropelada duas vezes enquanto o público/telespectadores acompanhavam a tragédia real sem nada fazer simplesmente ignorando o fato que acontecia.
Então… alguns dias depois me aparece aquele ditador que cada um chama de um jeito e que aqui vou chamar de Kadafi ignorando a certidão de nascimento do sujeito, sendo espancado e covardemente assassinado por rebeldes nos alto de seus sei lá… 70 anos ou algo por aí.
Então fiquei pensando… por que as pessoas ficam tão chocadas com cenas de uma criança chinesa sendo atropelada e tão sanguinariamente esfomeadas com um ditador ensanguentado sendo assassinado assim, em tempo real?
Então lembrei do pão e circo, dos gladiadores e daquilo que hoje, para nós, seres normais sem fantasias loucas ou desejos ocultos, nos parece absurdo, pessoas serem mortas ao vivo, para deleite de um público cego sedento por sangue e sofrimento…
Então pensei: senhor! Será que ainda existe o desejo pelo sofrimento alheio e isso nao é, como pensei, algo arcaico?
Então fui um pouco mais longe em minhas divagações e resolvi trazer a discussão pras massas e pro pop. E pensei onde começa o direito de um e termina o direito de outro.
Então pensei em questões de liberdade de imprensa e liberdade de expressão.
Então pensei em, simplesmente, liberdade.
Então tive, de um lado, Wanessa, e de outro Rafinha.
Então pensei na máxima do “onde começa meu direto termina o seu” e fiquei pensando cá com meus botões: parabéns, Rafinha, conseguiu audiência e conseguiu uma legião de seguidores.
Então pensei: parabéns Wanessa, por exercer seu direito e processar Rafinha por ferir seus direitos.
Então, mais longe ainda, pensei: quem somos nós reles mortais sem qualquer mídia incrustada em nossos respectivos rabos, para julgar a ação de um e de outro? De um lado os militantes a favor de piadas com fetos alheios, afinal somos livres para fazer piadas com quem quer seja (inclusive, como vai a sua mãe?), e de outro lado os defensores dos direitos das pessoas ofendidas por algo que fere seus direitos (pisou no meu gramado, responsabilize-se pela grama morta).
Então pensei: qual a diferença entre a criança chinesa, o ditador seiládeonde e o feto da Wanessa? Não somos todos sedentos por sangue, por tragédia e por qualquer coisa que fuja de nossa vidinha simplória sem grandes acontecimentos?
Então fico pensando: onde começa o meu direito e onde começa o seu e quem é que define onde fica esse limite?
Então pensei: não sei. E sigo o pensamento da colunista da Zero Hora que esqueci o nome perdão, que sabiamente disse que não existe mais mediação entre imagens e pessoas. Estamos num nível de mimetismo que nos confunde. Não s abemos mais até que ponto somos vouyers camuflados gozando com a vida/tragédia alheia ou pariticipantes ativos/clandestinos que mudam o rumo das histórias com um clique.
Então desacreditei na sinceridade alheia.
Então desacreditei na coragem e na coerência humana.
Então.
Update: como sempre, não vou corrigir.
Update 2: esse fundo tá uma bosta mas to sem saco pra procurar um melhor
Update 3: esse blog tá praticamente inativo.
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