
Dizem (e eu já disse) que o tempo cura tudo.
Apesar de querer acreditar que sim, duvido muito. Hoje prefiro acreditar que o tempo é conformador, e que o que é distante fica cada vez mais enterrado. Acredito nos momentos, nos espaços de tempo significativos, aqueles que marcam. Esses o tempo não deixa esquecer. Esses o tempo não deixa enterrar.
Momentos-segundos, aqueles de um olhar, de um pré-conceito. Momentos-minutos, de um beijo, de uma transa, de um filme no cinema. Momentos-horas, de um passeio sem compromisso, de um sono dormido junto. Momentos, momentos, momentos, a vida é, de fato, um grande momento.
Momentos longos em que a vida parece não ter mais rumo ou caminho, momentos feitos mais de lembranças que de vivências.
Momentos-segundos em que decide-se viajar pra um lugar desconhecido, sem pensar em consequências.
Momentos curtos demais para conhecer pessoas incríveis que comem quieto. E que comem queijo.
Pessoas incríveis que te dão abraço apertado e sincero. Que te dizem pra voltar, e não é da boca pra fora.
Pessoas que te fazem caminhar ladeiras e estourar o joelho para conhecer um lugar novo, aquele que “ocê precisa conhecer, uai”.
Pessoas que te recebem em suas casas, e depois de cinco minutos de conversa já se tornam pessoas queridas, e fazem com que você também se sinta querido por elas.
Descobrir essas pessoas, descobrir esses lugares. Descobrir que os momentos passam, mas as lembranças boas ficam. Descobrir que os momentos passam, e as lembranças ruins de outros momentos se tornam cada vez menores, e acabam caindo no esquecimento. Como descobrir que arriscar viver o momento é bom.
Como descobrir que sentir saudade (se não for de sentir saudade) é melhor ainda.
Como descobrir que João + João pode ser = um.
Como descobrir a beleza de um Van Gogh mesmo não gostando de Van Gogh. E descobrir que Gogh e Kandinsky podem ser uma ótima dupla.
Como descobrir que o menino grosso e pouco simpático do sul pode ser feliz comendo pão de queijo.
E descobrir que os momentos passaram, as lembranças ficaram, mas o tempo já tá se encarregando dos novos. E que não sejam breves. E que venham logo.
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